segunda-feira, 30 de maio de 2011

Manuel Ântonio de Almeida


Escritor romântico de transição para o Realismo, Manuel Antônio de Almeida (1831-1861) se formou em Medicina mas era jornalista por excelência. Um de seus empregos antes do jornalismo foi assistente de tipógrafo. Só escreveu uma obra, que foi em vida assinada anonimamente por ele apenas como "Um Brasileiro". Este pseudônimo indicava que ele possivelmente não continuaria a carreira literária. Morreu tragicamente aos 30 anos de idade, no naufrágio do navio Hermes, enquanto fazia campanha para deputação federal. Seguem algumas passagens desta obra, Memórias de um Sargento de Milícias.

"O compadre compreendeu tudo: viu que o Leonardo abandonava o filho, uma vez que a mãe o tinha abandonado, e fez um gesto como quem queria dizer: - Está bom, já agora... Vá; ficaremos com uma carga às costas." Memórias de um Sargento de Milícias

"Passado o tempo indispensável de luto, o Leonardo, em uniforme de Sargento de Milícias, recebeu-se na Sé com Luisinha, assistindo à cerimônia a família em peso." Memórias de um Sargento de Milícias

Franklin Távora



João Franklin da Silveira Távora (1842-1888) nasceu no Ceará mas viveu em Pernambuco, onde se formou em Direito, e, a partir de 1874, viveu no Rio e Janeiro. Foi deputado estadual em Pernambuco e funcionário da Secretaria do Império no Rio. Foi além de contista e romancista um grande historiador, e como morreu pobre, o Instituo Histórico e Geográfico Brasileiro do qual fazia parte deu uma pensão a sua viúva e filho. Parte de sua obra de historiografia foi destruída no final de sua vida pelo próprio autor, que sentia-se abandonado e miserável. Franklin Távora criou a "literatura do Norte", como ele mesmo batizou no prefácio de O Cabeleira. Embora tenha atacado José de Alencar no começo da carreira, ele se arrependeu depois. Távora é um romântico pré-naturalista. mantendo poucas características do Romantismo mas não se desvencilhando totalmente deste. Entre as obras que fazem parte desta literatura do Norte destacam-se O Cabeleira e O Matuto.

"Pela sua organização, pelos seus predicados naturais, o Cabeleira não estava destinado a ser o que foi, nós o repetimos. Os maus conselhos e os péssimos exemplos que lhe foram dados pelos desnaturado pai converteram seu coração, acessível em começo, ao bem e ao amor, em um músculo bastardo que só pulsava por fim a paixões condenadas." O Cabeleira

"Morro arrependido de meus erros. Quando caí nos braços da justiça, meu braço era já incapaz de matar, porque eu já tinha entrado no caminho do bem." O Cabeleira

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Joaquim Manuel de Macedo


Nasceu no RJ e formou-se médico. Fundou a revista Guanabara com Gonçalves Dias, foi redator de revista, secretário, orador do Instituto Histórico, político e professor. Amigo do imperador, tornou-se preceptor dos filhos da princesa Isabel. Um dos primeiros românticos, provavelmente o mais puramente romântico de todos na prosa, produziu diversos livros entre os quais os mais célebres são A Moreninha (que escreveu ainda muito jovem, com apenas 20, 21 anos de idade e lhe deu fama imediata), O Moço Loiro e A Luneta Mágica.

"No dia 20 de julho de 18... Na sala parlamentar da casa nº... Da rua de..., sendo testemunhas os estudantes Fabrício e Leopoldo, acordaram Felipe e Augusto, também estudantes, que, se até o dia de 20 de agosto do corrente ano, o segundo acordante tiver amado a uma só mulher durante quinze dias ou mais, será obrigado a escrever um romance em que tal acontecimento confesse; e, no caso contrário, igual pena sofrerá o primeiro acordante. Sala parlamentar, 20 de julho de 18... Salva a redação." (A Moreninha)

"Achei minha mulher!... Bradava Augusto; encontrei minha mulher!... Encontrei minha mulher!..." (A Moreninha)

José de Alencar


Escritor, político e advogado, José Martiniano de Alencar nasceu a 1º de maio de 1829 no Ceará e morreu de tuberculose aos 48 anos no Rio de Janeiro, em 12 de dezembro de 1877. Fez curso de Humanidades no RJ e formou-se em Direito em SP, onde foi colega de aula de Álvares de Azevedo e Bernardo Guimarães. Foi ministro da Justiça (1868-1870) e Senador do Império. Um de seus descendentes foi o Presidente Humberto de Alencar Castelo Branco. É considerado o maior escritor romântico brasileiro, tendo criado obras regionalistas, sociais e indianistas. Neste último estilo, que criou junto com Gonçalves Dias, enquadra-se O Guarani, que inspirou a célebre ópera de Carlos Gomes. Alencar foi também poeta e teatrólogo. Entre seus maiores romances estão O Guarani, Ubirajara, Iracema, Senhora, A Pata da Gazela, Diva, Lucíola, As Minas de Prata, A Viuvinha, Cinco Minutos, Til, O Gaúcho, O Sertanejo, Encarnação, Sonhos d'Ouro e O Tronco do Ipê.

Foi o consolidador do romance, um ficcionista que cai no gosto popular. Sua obra é um retrato fiel de suas posições políticas e sociais: grande proprietário rural, político conservador, monarquista, escravocrata, burguês. Pode-se perceber o medievalismo no personagem de O Guarani, Peri (bom selvagem) que deveria respeitar a realidade social de que ao senhor de tudo deve-se obediência, respeito e lealdade.

Defende o “casamento” entre o nativo e o colonizador numa troca de favores (temática presente em O Guarani - Ceci e família e Peri e em Iracema com Moacir, filho de Iracema e Martim. Tudo isso traduzido numa linguagem coloquial, diálogos bem feitos por sua formação de professor de Português.

Castro Alves


Antônio Frederico de Castro Alves nasceu a 14 de março de 1847 na cidade que hoje leva seu nome e morreu tuberculoso a 6 de julho de 1871. Tinha 15 anos quando se matriculou no curso de Direito em Recife, onde iniciou sua carreira poética, escrevendo poesia lírica e social (a social sendo a que mais o consagrou) a favor da abolição da escravatura, sendo por isso chamado de Poeta dos Escravos. Sua poesia lírica era menos idealizada que a de seus contemporâneos românticos, apresentando uma mulher mais sensual menos idealizada. Entusiasmou-se pelo teatro e casou-se com uma atriz chamada Eugênia Câmara, dez anos mais velha, que o abandonou mais tarde. Tempos depois do casamento, atira contra o próprio pé em uma caçada e tem o membro amputado. As caçadas tiveram sua origem justamente como escapatória das constantes brigas que o casal tinha começado a ter quando se mudaram para São Paulo. Mas após este infeliz acidente ainda pôde andar, ainda que com o auxílio de uma bengala e um pé de borracha. Em 1870 publica Espumas Flutuantes na Bahia, sua única obra poética publicada em vida. O que segue é uma passagem de seu célebre Navio Negreiro, parte de sua obra publicada postumamente em Os Escravos.

"Eras um sono dantesco... O tombadilho,
Que das luzernas avermelha o brilho,
Em sangue a se banhar,
Tinir de ferros... Estalar do açoite...
Legiões de homens negros como a noite
Horrendos a dançar" (Os Escravos)

Casimiro de Abreu


Comerciante, Casimiro José Marques de Abreu nasceu em 4 de Janeiro de 1839 no município de Barra de São João (que atualmente leva seu nome), levou vida boêmia e morreu tuberculoso em 18 de outubro de 1860, três anos após voltar de Portugal, onde estava a negócios. Sua poesia não foi muito inovadora, sendo considerado mais ingênuo dos românticos. Conhecido como "poeta da infância", fala muito da inocência perdida, como mostra a passagem abaixo. Um dos motivos de sua nostalgia era a intransigência do pai, que o obrigou a se tornar comerciante ao invés de lhe permitir ser poeta.

"Oh! Que saudades que tenho
Da aurora da minha vida,
da minha infância querida
Que os anos não trazem mais!"

Álvares de Azevedo


Manuel Antônio Álvares de Azevedo nasceu em 1831, um gênio precoce que já falava francês, inglês e latim aos 10 anos de idade. Estudava Direito e participava de altas orgias em reuniões com outros grandes escritores românticos como seu amigo Bernardo de Guimarães. Além do maior poeta da tendência Mal do Século no Brasil, Álvares de Azevedo também escreveu contos e uma peça de teatro (Macário). Quando entrou na faculdade de Direito teve um pressentimento que não completaria o curso ao ver dois estudantes do quinto ano morrerem na sua frente. A morte foi uma constante em sua obra, já que o irmão morreu prematuramente e ele sentia fortes dores no peito. De fato, morreu meses após completar o quarto ano, com prematuros 20 anos de idade, de um tumor na fossa ilíaca descoberto após um acidente de equitação. Dois anos depois sua obra romântica, dividida entre Ariel (o bem) e Caliban (o mal), passou a ser publicada. Foi o maior poeta brasileiro da tendência do Mal do Século. Seguem passagens do livro de contos (Caliban) Noite na Taverna, uma amostra da poesia Se eu morresse amanhã (composta dias antes do acidente) e do livro de poesias Lira dos Vinte Anos.
Poeta que melhor representou a estética ultra-romântica. Tendência aos aspectos mórbidos e depressivos da existência, degeneração dos sentimentos, decadentismo e até satanismo. A escolha vocabular reflete essa tendência: "pálpebra demente", "matéria impura", "fúnebre clarão", "boca maldita", entre outros. Esta linguagem, acrescida de termos científicos, voltará no Simbolismo com Augusto dos Anjos.


"Mas essa dor da vida que devora
A ânsia de glória, o dolorido afã...
A dor no peito emudecera ao menos
Se eu morresse amanhã!"

" Quando falo contigo, no meu peito
esquece-me esta dor que me consome:
Talvez corre o prazer nas fibras d'alma:
E eu ouso ainda murmurar teu nome!" (Lira dos Vinte Anos)

"Pois bem, dir-vos-ei uma história. Mas quanto a essa, podeis tremer a gosto, podeis suar a frio da fronte grossas bagas de terror. Não é um conto, é uma lembrança do passado." (Noite na Taverna)

"A mulher recuava... Recuava. O moço tomou-a nos braços, pregou os lábios nos dela... Ela deu um grito, e caiu-lhe das mãos. Era horrível de ver-se. O moço tomou o punhal, fechou os olhos, apertou-os no peito, e caiu sobre ela. Dois gemidos sufocaram-se no estrondo do baque de um corpo..." (Noite na Taverna)

"Mais claro que o dia. Se chamas o amor a troca de duas temperaturas, o aperto de dois sexos, a convulsão de dois peitos que arquejam, o beijo de duas bocas que tremem, de duas vidas que se fundem tenho amado muito e sempre! Se chamas o amor o sentimento casto e poro que faz cismar o pensativo, que faz chorar o amante na relva onde passou a beleza, que adivinha o perfume dela na brisa, que pergunta às aves, à manhã, à noite, às harmonias da música, que melodia é mais doce que sua voz, e ao seu coração, que formosura há mais divina que a dela-eu nunca amei. Ainda não achei uma mulher assim. Entre um charuto e uma chávena de café lembro-me às vezes de alguma forma divina, morena, branca, loira, de cabelos castanhos ou negros. Tenho-as visto que fazem empalidecer-e meu peito parece sufocar meus lábios se gelam, minha mão se esfria..." (Macário)

"Esse amor foi uma desgraça. Foi uma sina terrível. Ó meu pai! ó minha segunda mãe! Ó meus anjos! Meu céu! Minhas campinas! É tão triste morrer!" (Macário)

Gonçalves Dias


Gonçalves Dias
Orgulhoso de ter o sangue de índios, negros e brancos em seu corpo, Antônio Gonçalves Dias nasceu a 10 de agosto de 1823 no Maranhão e morreu a 3 de novembro de 1864. Gonçalves Dias foi um poeta romântico indianista e bacharel em Direito pela universidade de Coimbra. Sua poesia trouxe a admiração da crítica e do rei, que o nomeou para vários cargos públicos e lhe permitiu viver mais confortavelmente, tendo viajado pelo Norte do Brasil a serviço da corte. Também fez teatro. Recusado pela família de sua amada, casou-se com outra e, doente, viajou a Europa para se tratar. Quando o governo cortou o subsídio que lhe concedia em 1864, decidiu voltar ao Brasil. Na volta, morre no naufrágio do "Ville de Boulogne" por estar doente, já que foi abandonado de cama em estado deplorável enquanto todos os outros se salvaram. Alguns de seus poemas indianistas mais famosos são I-Juca Pirama e Os Timbiras. Primeiro grande poeta do Romantismo brasileiro. A temática indianista que caracteriza sua obra apresenta forte colorido e ritmo. Seu grande poema indianista Os Timbiras ficou incompleto, pois durante o naufrágio em que o poeta morreu perderam-se também os textos. Além da vertente indianista, também se destaca a lírica amorosa, mas não apresenta passionalidade. Aqui a mulher é sempre um anjo, idealizada, numa ótica platônica.



"Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá;
As aves, que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá." (Canção do Exílio)

"Eu vi o brioso no largo terreiro,
Cantar prisioneiro
Seu canto de morte, que nunca esqueci:
Valente como era, chorou sem ter pejo;
Parece que o vejo,
Que o tenho nest'hora diante de mi." (I-Juca Pirama)

"Por onde quer que fordes de fugida
Vai o fero Itajuba perseguir-vos
Por água ou terra, ou campos, ou florestas;
Tremei!..." (Os Timbiras)

segunda-feira, 13 de julho de 2009

TERCEIRA GERAÇÃO



As idéias liberais, abolicionistas e republicanas formam a base do pensamento brasileiro no período de 1870 a 1890. Influenciados por Auguste Comte, Charles Darwin e outros autores europeus, escritores como Tobias Barreto, Silvio Romero e Capistrano de Abreu empenham-se na luta contra a monarquia. Ao lado deles, Joaquim Nabuco, Rui Barbosa e Castro Alves também se destacam na divulgação do novo ideário.

O engajamento em questões da realidade social e a oposição ao governo central tornam-se incompatíveis com o subjetivismo e o patriotismo, até então dominantes. Uma nova polêmica envolvendo José de Alencar é indicativa dos rumos que o movimento romântico toma nesse período. Ocorrida em 1871, a discussão foi iniciada pelo jovem romancista cearense Franklin Távora, que acusava Alencar de excesso de idealismo e pouco conhecimento empírico da realidade que retratava. A polêmica repercutiria sobre textos teóricos do próprio Alencar e também de Machado de Assis.

Na poesia, Castro Alves é o nome de maior destaque da terceira geração romântica. Autor de Espumas Flutuantes (1870) e do poema Navio Negreiro, ele celebrizou-se pela força lírica dos poemas em favor da libertação dos escravos. Também é relevante nesse período a figura de Sousândrade (1833-1902). Autor de uma poesia com momentos ricos em experimentalismo, como se pode notar pela leitura de O Guesa (1868), ele também teve atuação importante como cronista político.

A partir de 1870 o pensamento da inteligência brasileira terá como suporte as idéias liberais, abolicionistas e republicanas - o que caracteriza a produção da chamada Terceira Geração do Romantismo e marca o início da transição para o Realismo. Influenciados pela filosofia positivista e pelo evolucionismo professado por Auguste Comte, Charles Darwin e outros pensadores europeus, escritores importantes como Tobias Barreto, Silvio Romero e Capistrano de Abreu empenham-se na luta contra a monarquia. Ao lado deles, intelectuais de vasta formação humanística, como Joaquim Nabuco e Rui Barbosa, e poetas de grande expressão, como Castro Alves, assumem papel de destaque na divulgação do novo ideário.

Momento que também é conhecido como condoreirismo, recebe esse nome por associar-se ao condor ou outras aves, como a águia, o falcão e o albatroz, que foram tomadas como símbolo dessa geração de poetas com preocupações sociais. Identificando-se com o condor, ave de vôo alto e solitário, com capacidade de enxergar a grande distância, os poetas condoreiros supunham ser eles também dotados dessa capacidade e, por isso, tinham o compromisso, como poetas-gênios iluminados por Deus, de orientar os homens comuns para os caminhos da justiça e da liberdade.

sexta-feira, 19 de junho de 2009

SEGUNDA GERAÇÃO


Também conhecida como Byroniana e Ultra-Romantismo, recebeu a denominação de mal do século pela sua característica de abordar temas obscuros como a morte, amores impossíveis e a escuridão.
A poesia ultrarromântica ou mal -do – século é aquela em que as características românticas se encontram mais exacerbadas, notadamente o pessimismo, a morbidez, a melancolia, o tédio, o escapismo e o excesso de subjetividade. Ela pode também ser chamada de Byroniana graças à influência marcante que Lord Byron exerceu sobre essa geração. O Byronismo foi um fenômeno de moda literária que atingiu várias literaturas da Europa e das Américas na época do Romantismo. No Brasil, a fase byroniana de nosso Romantismo, concentrou-se mais em São Paulo, entre os jovens poetas que cursavam a Academia de Direito, sobre os quais reinava o talentoso Álvares de Azevedo, considerado o expoente máximo do byronismo brasileiro.
O poeta inglês Byron é criador de personagens sonhadores e aventureiros, que desafiavam as convenções morais e religiosas da sociedade burguesa e, com sua vida agitada, foi, ele mesmo, um típico heroi romântico.
Na imaginação de seus leitores,a figura de Byron confundia-se com a de seus herois: orgulhoso, irreverente, melancólico, misterioso, conquistador – todos esses adjetivos eram usados para descrevê-lo e uma aura de mito foi sendo criada em torno de seu nome, gerando imitadores e admiradores por toda a parte.

Principais autores:
Junqueira Freire
Casimiro de Abreu
Álvares de Azevedo

PRIMEIRA GERAÇÃO


No Brasil, o início do Romantismo coincidiu com um processo histórico que culminou com a independência, em 1822. Foi um momento em que idealistas brasileiros sentiram o desejo e a necessidade de determinar a identidade de sua jovem nação, através de símbolos verdadeiramente nacionais. Era preciso ressaltar suas características, valorizar sua história, conhecer a origem e a personalidade de seu povo.
Além de influenciados por esse anseio, que resultava do contexto histórico, os autores românticos contribuíram para determinar as marcas de nossa nacionalidade.
Preocupados com a instauração de uma literatura verdadeiramente brasileira, os poetas da priemira geração romântica pretendiam construir uma identidade nacional em contraposição ao que vinha de Portugal.
Assim, da mesma forma que os poetas portugueses inspiravam-se na época medieval e em seus cavaleiros, os escritores brasileiros inspiravam-se nos primeiros moradores da terra, os índios. Entretanto, porque tinham a intenção de valorizar a nação brasileira, os poemas do período mostraram um índio idealizado: não era real, era o "bom selvagem" de Rousseau, honesto, corajoso e incorruptível.
O sentimentalismo e a religiosidade são outras características presentes nas obras da primeira geração romântica.

Principais autores
Gonçalves de Magalhães
Manuel Araujo Porto Alegre
Gonçalves Dias

ROMANTISMO NO BRASIL


1836 - início do Romantismo brasileiro com a publicação do Suspiros Poéticos e Saudades, de Gonçalves de Magalhães. Nesse mesmo ano, Araujo de Porto Alegre lança em Paris, a revista Niterói que se torna uma espécie de porta-voz das novas ideias românticas no Brasil.

Envolvidos pelo entusiasmo nacionalista gerado pela proclamação da Independência em 1822, os escritores românticos engajaram-se também no projeto de criação de uma literatura autenticamente nacional. Esse esforço de “brasilidade” revelou-se na escolha de temas ligados à nossa realidade social e histórica e na linguagem usada pelos escritores, que abandonaram aos poucos o tom lusitano em favor de um estilo mais próximo da fala brasileira.

O Brasil do início do século XIX foi palco de várias transformações que contribuíram de forma decisiva para a formação de uma verdadeira identidade nacional e, conseqüentemente, uma literatura com características mais brasileiras. A chegada da família real portuguesa em 1808 já era um indício de que aquele seria um século de profundas mudanças na estrutura política, econômica e cultural do país. D. João VI, através de medidas importantes visando o desenvolvimento nacional, abriu os portos para comércio com o mundo, o que significava a fácil entrada de novas tendências culturais, principalmente européias. Além disso, criou novas escolas, bibliotecas e museus, e deu incentivo à tipografia, que implicou a impressão de livros, até então feitos em Portugal, e a edição de jornais. O eixo político-econômico-cultural do Brasil sai então de Minas Gerais para ganhar as portas da realeza no Rio de Janeiro, onde nasce um público consistente de leitores principalmente formado de mulheres e jovens estudantes, provenientes da classe burguesa em ascensão.

Enquanto isso, o restante da nação, ainda movido pela estrutura agrária e mão-de-obra escrava, assiste à transição do colonialismo ao império. Era a tão sonhada independência política das correntes de Portugal, numa busca pela liberdade e pelo patriotismo, que iria acolher de braços abertos os ideais românticos.

O Romantismo, marco de início do Período Nacional da literatura brasileira, que se estende até nossos dias, tem como lema a subjetividade, ou seja, o culto ao EU, ao individualismo e à liberdade de expressão, buscando a criação de uma linguagem nova e compatível com o espírito nacionalista. Impera a emoção, a constante busca pelas forças inconscientes da alma, como a imaginação e os sonhos. É o coração acima da razão humana, que leva ao amor idealizado e puro. A natureza passa a ser a expressão da criação e perfeição de Deus, a única paisagem sem a mão corrupta do homem. É nela que o homem vai refletir todos os seus estados de espírito e desejos de liberdade, de proximidade ao Criador.

No Brasil, o Romantismo desenvolveu-se principalmente nos gêneros romance e poesia. O romance estava em ascensão na Europa e não tardou a fazer sucesso também por aqui. Inúmeros jornais e folhetins traziam em suas páginas as belas traduções de romances europeus de cavalaria ou de amores impossíveis. Logo, toda uma gama de jovens escritores brasileiros interessaram-se pelo gênero e especializaram-se nesse tipo de literatura.

CARACTERÍSTICAS



Inicialmente, romântico era tudo aquilo que se opunha ao clássico. Ou seja, os modelos da Antiguidade Clássica foram substituídos pelos da Idade Média (principalmente de seus últimos séculos, que coincidem com o surgimento da burguesia).

A uma arte de caráter erudito e nobre opõe-se uma arte de caráter popular,que valoriza o folclórico e o nacional.

O indivíduo passa a ser o centro das atenções, apelando para a imaginação e para os sentimentos, do que resulta uma interpretação subjetivada realidade.
A arte romântica, ao romper as muralhas da Corte e ganhar as ruas,liberta-se das exigências dos nobres que financiavam sua produção.

As obras deixam de ter o caráter prático de obras de encomenda: o público agora é amplo e anônimo, o que leva a uma nova linguagem na literatura e nas artes em geral.
Com o Romantismo surge um público consumidor, uma vez que a literatura torna-se mais popular, o que não acontecia com os estilos de época de características clássicas.
Surge o romance, forma mais acessível de manifestação literária, o teatro ganha novo impulso, a prosa artística ganha espaço.

MARCOS HISTÓRICOS


Dois fatos importantes da história europeia marcaram o período em que se desenvolveu o Romantismo:
Revolução Industrial
Revolução Francesa
Juntas provocaram o fim do absolutismo na Europa e incentivaram a livre iniciativa, o individualismo econômico e o liberalismo político, estimulando também o nacionalismo. Esse clima de liberdade
e renovação marcou profundamente a
literatura da época.

ROMANTISMO


As primeiras manifestações do Romantismo surgiram por volta da metade do século XVIII, na Europa, quando alguns escritores passaram a falar da natureza e do amor num tom bem pessoal e melancólico, fazendo da literatura uma forma de desabafo sentimental.

Os escritores românticos abandonaram o tom solene e as rígidas regras de composição poética adotando um estilo mais simples e mais comunicativo. Os poetas criaram novos ritmos e variaram as formas métricas.

Essa liberdade de expressão, aliás, é uma das características principais do Romantismo e constitui um aspecto importante para a revitalização da literatura ocidental.
O Romantismo surgiu numa época em que o ambiente intelectual era de grande rebeldia. Na política, caíam os sistemas de governo despóticos e surgia o liberalismo político (não confundir com o liberalismo econômico do Século XX). No campo social imperava o inconformismo. No campo artístico, o repúdio às regras. A Revolução Francesa é o clímax desse século de oposição.

No Brasil, o romantismo coincidiu com a independência política em 1822, com o Segundo reinado, com a guerra do Paraguai e com a campanha abolicionista.

Alguns autores neoclássicos já nutriam um sentimento mais tarde dito romântico antes de seu surgimento de fato, sendo assim chamados pré-românticos. Nesta classificação encaixam-se Francisco Goya e Bocage.

O Romantismo viria a se manifestar de formas bastante variadas nas diferentes artes e marcaria, sobretudo, a literatura e a música (embora ele só venha a se manifestar realmente aqui mais tarde do que em outras artes). À medida que a escola foi sendo explorada, foram surgindo críticos à sua demasiada idealização da realidade. Destes críticos surgiu o movimento que daria forma ao Realismo.

quinta-feira, 30 de abril de 2009

segunda-feira, 30 de março de 2009

NARRAÇÃO E OS ELEMENTOS DA NARRATIVA -





A narração é um modo de organização de texto cujo conteúdo está vinculado, em geral, às ações ou aos acontecimentos contados por um narrador. Para construir esse texto, é preciso explorar os elementos da narrativa.

PERSONAGEM – a palavra personagem deriva do vocábulo latino persona, que significa “máscara” (no teatro greco-latino os atores utilizavam máscaras para representar os personagens que interpretavam). O personagem da narrativa pode ser uma pessoa com características reais ou imaginárias, ou pode ser , ainda, a personificação de animais, idéias, forças da natureza. Quanto à sua importância na trama os personagens podem ser principais ou secundários.
O personagem principal de uma narrativa é chamado de protagonista (principal ator) e, dependendo do escritor e do estilo de época, pode ser apresentado de maneira mais idealizada ou mais próxima ao real. O protagonista, normalmente, vai se defrontar com o antagonista – o que luta contra algo ou alguém. Observe que as palavras protagonista/antagonista já denunciam, em sua significação, o conflito.

NARRADOR - O narrador é elemento fundamental para o sucesso do texto, pois esse é o dono da voz, o que conta os fatos e seu desenvolvimento. Atua como intermediário entre a ação narrada e o leitor.
O narrador assume uma posição em relação ao fato narrado (foco narrativo), o seu ponto de vista constitui a perspectiva a partir da qual o narrador conta a história.

Foco narrativo - É a perspectiva através da qual o narrador relata os acontecimentos da narrativa.Podemos afirmar que é, ao lado do enredo, a principal definição que o autor faz antes de iniciar a narração (O autor precisa definir, antes de começar a escrever a história, que tipo de narrador terá o texto).

Foco narrativo de 3ª pessoa: o narrador não participa ativamente dos acontecimentos. Nas narrativas em 3ª pessoa, o narrador pode ser onisciente ou observador.
- o narrador onisciente conhece toda a história que relata e até os pensamentos dos personagens envolvidos na história;
- o narrador observador não conhece toda a história, apenas relata os fatos à medida que eles vão acontecendo; não pode, portanto, fazer antecipações, nem variações no relato da história.

Foco narrativo de 1ª pessoa: entra em cena o narrador-personagem. Nas narrativas em 1ª pessoa, a história é contada a partir do ponto de vista do narrador e, assim, fica condicionada à visão que ele tem da trama. (Como o narrador está envolvido nas ações relatadas, poderá contar a história conforme sua compreensão dos fatos – o que pode comprometer a história)

ENREDO - é a própria estrutura narrativa, os seja, o desenrolar dos fatos, dos acontecimentos. Como o próprio nome indica, enredar significa “tecer, entrelaçar os fatos”. O enredo pode ser organizado (a história pode começar a ser contada de várias maneiras). Observe, a seguir, a organização mais comum:
• situação inicial – personagens e espaço são apresentados
• quebra da situação inicial- um acontecimento modifica a situação apresentada
• estabelecimento de um conflito- surge uma situação a ser resolvida, que quebra a estabilidade de personagens e acontecimentos.
• Desenvolvimento- busca da solução do conflito
• Clímax- ponto de maior tensão na narrativa
• Epílogo- solução do conflito. Note-se que essa solução não significa um final feliz.


ESPAÇO - ´É o lugar onde decorre a ação do enredo, onde se movimentam os personagens. Geralmente, a apresentação do espaço é marcada por seqüências descritivas no meio da narrativa (pois o autor precisar descrever, caracterizar o ambiente para o leitor)

TEMPO - O tempo em uma narrativa é o “marco temporal” das ações que estão sendo contadas. É a indicação de quando essas ações aconteceram. As narrativas podem basear-se num tempo cronológico, ou seja, aquele medido ora pela natureza (a passagem do dia para a noite), ora por mecanismos de medição temporal (como o relógio ou a divisão em anos, meses, semanas, etc.) Mas também podemos observar o tempo psicológico, que é aquele que não se pode medir de uma forma racional, pois se trata de um tempo que pertence ao mundo interior do personagem. O tempo psicológico é marcado pelas sensações vivenciadas pelo personagem em relação a um determinado momento temporal: um minuto pode ter uma duração de dez anos ou, ao contrário, dez anos podem ter a duração de um minuto.

MODOS DE ORGANIZAÇÃO DO TEXTO




DESCRIÇÃO - O texto descritivo apresenta as conclusões de um observador sobre alguém ou alguma coisa. As impressões que resultam desse processo de observação podem ser objetivas ou subjetivas, profundas ou superficiais. Na descrição são dadas as características do objeto/pessoa/local que está sendo observado.

NARRAÇÃO - O texto narrativo apresenta uma história vivida por determinadas personagens em tempo e lugar definidos. Um narrador conta a história. Quando há trechos descritivos, servem para que o leitor visualize melhor os acontecimentos narrados. A narração é o relato de uma seqüência de fatos ou acontecimentos (ações).

DISSERTAÇÃO - Na dissertação, o autor defende seu ponto de vista com uma série de argumentações, com o objetivo de convencer o leitor. Trata-se da discussão de idéias.O tema pode estar na 1ª ou na 3ª pessoa. O texto dissertativo costuma ter três partes principais: a introdução, o desenvolvimento e a conclusão.